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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

MACAXEIRA JAZZ


Pra não perder o costume, mais um questionamento.

O que é mais marcante em uma canção, letra ou melodia?
Pode uma música se tornar famosa, cair no gosto do povo, apenas por exibir uma letra especial? Por outro lado, uma canção de letra vaga, porém com uma bela melodia, tem potencial para o sucesso? São necessárias as duas coisas? Qual a mais importante?

Penso que, apesar do papel importante da letra, o segredo de uma boa música está na melodia. Respeitando opiniões contrárias, atribuo à melodia 70% do potencial de sucesso de uma canção. E mais, os outros 30% divido em letra, ritmo e harmonia. Vinícius de Morais deve estar se debatendo no caixão, rsrs.

Estou sendo muito radical? Seria necessário unir as das duas coisas para que o ciclo se fechasse e o sucesso acontecesse? E um grupo que só toca música instrumental?

O Macaxeira Jazz está aí para desafiar esse conceito.
São jovens que ousaram cair na estrada tocando apenas música instrumental. Virtuosos por excelência, o que não é raro em grupos dessa natureza, porém com um atributo que os difere dos demais: a originalidade.
Recorrendo ao significado dessa palavra, “é aquilo que tem caráter próprio, de cunho novo e pessoal, que não segue modelos”. E é isso que o Macaxeira faz quando mistura em seu repertório Jacob do Bandolim, Beatles e Michael Jackson. Os caras mandam um Billie Jean logo depois de Brasileirinho! Sensacional!
No comando, Diogo Guanabara. Músico de talento precoce que domina  a arte do bandolim exibindo técnica e muito swingue. Na guitarra, o virtuosíssimo Ticiano D`More. No baixo, a segurança de Henrique Pacheco. Completando essa turma, na bateria, o irreverente Raphael Bender .
Amigos, estudiosos e criativos que, com talento ímpar, levam sua musicalidade para qualquer lugar.
De Natal ao Japão tocando a música do mundo e, com um detalhe, sem cantar uma só palavra, rsrs.
Sucesso em 2011.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Camila Masiso - Tem roqueira no samba.


Após anos passeando pelos palcos do Pop Rock, essa talentosa potiguar rendeu-se aos encantos do samba que, por sua vez, a acolheu de braços abertos.
A rigor, toda mudança é difícil, de modo que na música não poderia ser diferente. O medo do “novo” é o maior desafio a ser vencido, penso eu. É preciso coragem para recomeçar, redescobrir-se, se permitir arriscar.
E foi isso que Camila Masiso fez. Depois de ter passado por bandas como Base Livre, Lado B e Tricor, Camila, com muita personalidade, ousou trilhar novos rumos em sua carreira, e nessa empreitada deu sorte logo de cara. É que em seu caminho apareceu Diogo Guanabara e a turma do Macaxeira Jazz, quer companhia melhor?
Os caras, munidos de toda malandragem inerente aos grandes sambistas, acolheram a musa com carinho, dando o tom exato para sua bela voz.
E que voz! Suave, afinada, uma rouquidão na medida certa, um charme.
Repertórios como o de Roberta Sá e Maria Rita caíram como uma luva, iniciando a nova fase de sua trajetória.
A aceitação do público natalense foi imediata, e não poderia ser diferente, pois não há quem resista à harmonia de seu “samba-bossa”.
Em setembro de 2010 lançou o cd “Boas Novas”, no Teatro Alberto Maranhão, com 9 composições inéditas, dentre as quais destaca-se “O amor”, de autoria de Maykel Câmara e Diogo Guanabara.
Seja bem vinda ao Samba do Brasil!
A guitarra, símbolo maior do rock, deve estar distorcendo-se de saudades. Todavia, o violão agradece.
Boa Sorte.



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mesa Doze - Geração 2000


Não há cultura que resista ao tempo se não for relida, redescoberta, relembrada.
O samba, em pese toda força de sua raiz, necessita de constante renovação.
Aqui em Natal, apesar de a grande mídia ser voltada para o forró, o samba, a cada nova geração, se mantém vivo, conquistando cada vez mais admiradores.
O Mesa Doze é um bom exemplo disso.
São os mais jovens expoentes desse gênero musical que, com muita simpatia e entusiasmo, aos trancos e barrancos, vem contagiando a meninada local.
Sim, aos trancos e barrancos mesmo! Veja que não é fácil competir com a grande máquina de cultura medíocre que são as rádios atuais. É tanto “paredão”, “cabaré”, “cachaça”, “carrão”, que é quase impossível conquistar o jovem tocando samba.
Todavia, a trupe de João e Huguinho encarou o desafio, sapecando o pandeiro cidade afora. “DESLIGA o paredão e bota o samba pra torar”.
Flauber Benício (surdo), João Felipe (voz e banjo), Huguinho (cavaco), Gláucio (tan-tan e voz), Guilherme pinto (violão) e Guilherme Bigode (bateria).
É a nova geração do samba natalense que pede passagem.
E tome Mesa Doze!!!!
Sucesso sempre.

Contato: 9417.3333 (Vagner Júnior)



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pura Tentação - Do samba ao baile.


Queridos amigos, leitores do papoco.
Dando continuidade à proposta original do blog, qual seja, divulgar o trabalho dos artistas locais, é chegada a hora de falar dessa galera que sacode a nossa cidade, esbanjando talento e profissionalismo.
Para saber como tudo isso começou, detalhadamente, sugiro que acessem o seguinte endereço: http://www.puratentacao.com/pages/release.html. O link os remeterá a um release detalhado do grupo que, diga-se de passagem, está muito bem escrito.
Pois bem. Uma das bandas mais requisitadas de Natal, o Pura Tentação, pra quem não conhece, o que é bem difícil, nasceu no samba, isso mesmo, bambas de primeira linha. Foi no final dos anos 90 que a turma alçou vôo com destino certo, o sucesso. Aqui em Natal, Pura Tentação é sinônimo de sucesso. A evolução musical conquistada com o passar dos anos, a visão de marketing estratégico, a sociabilidade, são algumas das virtudes dessa banda vencedora.
À frente dos trabalhos, dois advogados, Rodrigo Lira e Saulo Medeiros. Não me perguntem como eles conseguem dividir o seu tempo, também tenho essa curiosidade. Quem sabe eles se manifestem aqui no blog?
No meu pensar, o profissionalismo com que conduzem os trabalhos do grupo é fruto da seriedade exigida na prática forense, de maneira que a música e a advocacia acabam se tornando uma coisa só. Será?
Completando a família: Thiago Túlio (teclados), Daniel Abreu (baixo), Netinho Costa (guitarra), Luiz Júnior (percussão), Rômulo Fernandes (percussão), Wendell (bateria) e Rodolpho Barros (produção).
Sempre atento às novidades da música, o grupo se mantém constantemente atualizado, trazendo para o seu repertório tudo que há de mais “estourado”, “pipocado”, independentemente da origem, do conteúdo, se veio do clássico ou do brega, da partitura ou youtube, o que importa é a animação. E é esse o tempero que vem conquistando o natalense e dando-lhes a preferência dos bailes de formatura, casamentos e confraternizações em geral. Se tiver Pura Tentação, a animação é garantida.
Todo sucesso pra vocês amigos.


Contato: (84) 9991-8484



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pagode Nosso Grito - 10 anos


Antes de falar propriamente do grupo, gostaria de fazer uma breve reflexão.

Vocês sabem qual a diferença entre samba e pagode? Na minha opinião nenhuma.
Na verdade, penso que o pagode é a ocasião, o ambiente. É a união de sambistas, boêmios, amantes da música e da noite, com o objetivo de prestigiar o samba.
O problema é que se criou um estereótipo de que pagode são os sambas menos refinados, melosos, de pouco conteúdo, os ditos “da mídia”, dando-lhe, inclusive, uma conotação um tanto quanto pejorativa. Quanta bobagem! É tudo samba minha gente.
O Nosso Grito é prova disso.
São 10 anos de muito samba, com uma bagagem que muitos artistas locais não possuem. Já são três dvds, além da experiência de terem acompanhado grandes nomes do cenário nacional como Neguinho da Beija-flor, Arlindo Cruz, Sombrinha entre outros.
À frente dessa turma Flávio Xingu. Nas cordas, os talentosos, Thiago (cavaco), Nando (banjo) e Netinho (violão). Na cozinha muita cadência e categoria com Jason, Galo e Jr. Prego. Paulo Márcio (baixo) e Paulo Eduardo (teclados) completam a harmonia do samba.
Ecléticos na escolha do repertório, o grupo mescla composições próprias com sambas novos e antigos, tudo com muita originalidade e requinte na execução.
Despidos de qualquer tipo de preconceito, levam o seu som a todos os cantos da cidade, dos mais humildes aos mais sofisticados. Talvez seja esse o maior atributo do Nosso Grito, ser do povo.
E já que o samba é do povo, que esse grito ecoe sempre.
Sucesso!

Contato para shows:
(84) 8895.1545 Flávio Xingu
(84) 9164.9083 Danilo

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

VIDA ALHEIA - Batuque na veia


Já dizia o poeta: batuque é um privilégio, ninguém aprende samba no colégio. (Feitio de Oração – Noel Rosa).
Realmente, o samba não é como a matemática, o português, a física. Não se estuda por módulos, nem se avalia por exames trimestrais. Porém, quando ele se revela no ambiente escolar, planta no coração do estudante a semente do futuro médico-sambista, advogado-sambista, o Dr. do samba.
Foi nesse ambiente que, despretensiosamente, um grupo de amigos do colégio Marista se uniu para formar o grupo, à época chamado de “descontrasamba”, embrião daquele que mais tarde se tornaria Vida Alheia.
O tempo passou, alguns componentes saíram, mas a essência da boa música permanece.
O grupo tem uma característica que se difere dos demais, a percussão. É surdo, tan-tan, repique de mão, pandeiro, cuíca, tamborim, caixa, reco-reco, repique de anel, uma verdadeira escola de samba, com muita alegria e cadência. Violão e cavaco são responsáveis pela harmonia necessária à suave voz de Alessandra Macedo.
Em seu repertório, o melhor do samba, dos antigos aos mais recentes, sempre destacando-se a pegada forte e contagiante da turma da “percussa”.
Leandro – cavaco, Gustavo – violão, Diogo - flauta, Rogério Madureira - pandeiro e voz, Sérgio – percussão, Rafael – percussão e Alessandra – voz.
É samba forte, pegado, envolvente.
É o samba que nasceu na escola, é o batuque da escola de samba.
É o Vida Alheia.


Contato 084 9101.2508 ( César).



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Samboêmios - Samba e Amizade


"A amizade...nem mesmo a força do tempo irá destruir...somos verdade...nem mesmo este samba de amor pode nos resumir".

Essa música do grupo Fundo de Quintal intitulada “A amizade” traduz de forma exata o espírito dos Samboêmios. São amigos, parceiros de bar, amantes da boa música que se uniram, não com o propósito de viver do samba, mas sim, viver o samba.
“Não somos uma banda; somos um grupo de amigos, amantes do samba e, principalmente, da alegria de tocar junto e se divertir”.
Pelas próprias palavras de seus integrantes nota-se que a amizade é o grande elo de união e constituição do grupo.
Todavia, para conquistar o público da forma como vem fazendo, além desse atributo peculiar, o que não falta nessa turma é talento.
A começar pela proposta originalíssima de colocar um acordeom no samba.
É dizer, o nordeste quer mostrar que faz samba também, parafraseando o saudoso poeta da Vila Isabel.
Em seu repertório passeiam por grandes clássicos do gênero, prestigiando-se nomes como Cartola, Noel Rosa, Clara Nunes, Chico Buarque, João Nogueira, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Arlindo Cruz entre outros.
É a mistura do velho com o novo, da beleza do passado com a irreverência do presente, da sanfona com o cavaco, da suavidade da voz feminina com o coro forte da macharada, rsrsrs.
Natália Amorim – voz, Léo Galvão - cavaquinho e arranjos, Flavio Henrique – bateria, Lucas Bona – percussão, Tiago - sanfona, Rafael Brandão - violão e voz e Victor – percussão. Amigos que fazem da noite natalense o palco de suas afinidades com muita categoria e bom gosto.
Toda sorte pra vocês.

Contato para shows:
Thiago Simonetti - produtor. Tel. 8804 4934




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Arquivo Vivo - Os donos do Beco.


Cadência contagiante, batuque de primeira e um repertório que prima pelo melhor do samba, é assim que os bambas do Arquivo Vivo embalam a noite natalense, com muita originalidade e alegria.
Descobertos no “buraco da catita” subiram com seu batuque até o tradicional beco da lama onde até hoje, nas noites de quinta, se encontram para mais uma roda de samba. Gente que sai do trabalho, das lojas do centro da cidade, das repartições públicas da ribeira, todos com um só propósito: cantar junto com o Arquivo Vivo, tomar uma cerveja gelada, relaxar e curtir a noite.
O grupo é composto por Bruno (Voz e Percurssão); Maurício (Surdo); Binho (Reco); Carlinhos (Rebolo); Marcos (Cavaquinho); Renan (Pandeiro). São boêmios, na verdadeira essência da palavra,  que conquistam adeptos e amantes da boa música, revivendo e redescobrindo a nostalgia dos tempos áureos do samba.
Com muita personalidade o grupo se destaca no cenário musical local encabeçando, junto a outros poucos grupos, o movimento de redescoberta da música brasileira.
Em seu repertório, samba de vários compositores do gênero, dentre eles: Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, João Nogueira, Roberto Ribeiro, Chico Buarque, Dona Ivone lara, Candeia, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Leci Brandão, Beth Carvalho, entre outros.
Pra quem ainda não os conhece vale a pena conferir esse trabalho.
Boa sorte amigos!


Roda no Beco com o Arquivo: http://www.youtube.com/watch?v=andvQDYbHf0

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

QUARTETO LINHA DE PASSE

Queridos amigos, a partir deste post abriremos espaço para a divulgação direta dos artistas locais, a começar pelo trabalho do Quarteto Linha de Passe, projeto musical do qual tenho a honra de fazer parte.

Assim dispõe o release do grupo:
“O samba é alegria, amor e poesia que embala o povo a sonhar...” (Vander Carvalho/Luiz Carlos/Ronaldinho). Eis a inspiração e a meta do Quarteto Linha de Passe. Cantar o samba de ontem e de hoje, revisitar os clássicos do gênero e apresentar as mais belas composições atuais, passeando pelas obras de Nelson Cavaquinho, Cartola, Paulinho da Viola, Chico Buarque de Holanda, Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz, dentre outros.
O grupo nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, fruto da união e de um sonho comum de quatro amigos: trazer para a capital potiguar o movimento musical de redescoberta do samba que se vê hoje no bairro carioca da Lapa. Em curto espaço de tempo, o projeto “Quarteto Linha de Passe” saiu do papel para os ensaios, e, dos ensaios, para a noite natalense — em setembro, o conjunto apresentou-se no Projeto Cultural do Praia Shopping com o show “clássicos do samba.”
As apresentações do Quarteto Linha de Passe — assistidas também em algumas festas fechadas — procuram mostrar algo a mais que a simples execução de um repertório refinado de sambas. Aliando simplicidade e personalidade nos arranjos musicais, o grupo procura também reproduzir no palco a áurea boêmia e poética que envolve a história desse importante gênero da música popular brasileira.
O quarteto é composto por Ayrton Neto (voz e percussão), Alex Amorim (voz e percussão), João Henrique Koerig (voz e cavaquinho) e Stenio Medeiro (voz e violão). Um analista de sistemas, um técnico de laboratório, um advogado e um fisioterapeuta, respectivamente. Amigos e profissionais que fazem do samba o ponto de encontro da alegria, da amizade, do entrosamento e da celebração à boa música.”

Apesar de atualmente o grupo ser composto por quatro músicos, existe uma cadeira a ser ocupada por um dos idealizadores do projeto – Vinícius Lins – nosso grande amigo que, em virtude de nomeação para o cargo de procurador federal do Estado de Rondônia, teve que se ausentar da cidade e, conseqüentemente, deixar o projeto.
Atualmente o grupo apresenta-se as sextas-feiras na AABB às 20h e aos sábados no A Saideira (Av Intergração) às 14h.
Além do resgate aos grandes clássicos do samba, o grupo iniciou um trabalho de composição e de pesquisa de sambas inéditos para uma eventual gravação.

Aproveitem o espaço destinado aos comentários para dar sua opinião sobre nossa proposta de trabalho. O que vocês acham do grupo? No que poderíamos melhorar? Fiquem à vontade.




Release digital:

Contato para shows:
(84) 9411.5556  (84) 9116.0375

domingo, 31 de outubro de 2010

É de fora? Ah, então é bom!


Queridos amigos, quem quiser acrescentar alguma informação ao post “A História da Música Potiguar fique à vontade. Agora é hora de apimentarmos isso aqui. Vou postar uma reflexão minha sobre o descrédito inexplicável do público natalense com relação à produção musical local. Inexplicável? Tentarei explicar. O título resume bem o que ocorre aqui na nossa cidade. É incrível o valor que os jovens dão aos artistas de fora. E não precisa ser de SP, RJ, MG não! Pode ser de Pernambuco, por exemplo, ou até mesmo da Paraíba. Quem nunca ouviu alguém dizer assim: quem vai tocar lá é uma banda de Recife!!! Como se o fato de ser de Recife fosse suficiente para dizer que a banda é boa. O pior é que a casa lota. Onde foi parar a credibilidade dos artistas locais?
Recordo-me bem que no início dos anos 90 o público prestigiava cantores como Pedrinho Mendes, Sueldo Soares, Nonato Negão entre outros. Quem se lembra das grandes batucadas? Não tinha essa de trazer ninguém de fora não. A prata da casa era valorizada. Onde foi que isso começou a mudar? Alguém se arrisca em dizer? Eu vou arriscar. Isso começou a mudar quando uma empresa local de eventos empurrou goela a baixo a cultura do axé baiano. Artistas como Netinho (Banda Beijo) e Márcia Freire (Cheiro de Amor) começaram a fazer sucesso aqui, para depois estourar na Bahia e no resto do país. Quase toda semana tinha um baiano fazendo show no antigo Circo da Folia. O próprio Asa de Águia apareceu por aqui como um forasteiro desconfiado, mas foi calorosamente acolhido pelo nosso público. Uma avalanche de axé music invadiu as rádios natalenses deixando até o forró por um tempo esquecido. Pronto, o cenário estava montado, faltava apenas o golpe final. Eis que surge, então, o imponente “Carnatal”. É da Bahia? Ah, então é bom! Pobre Pedrinho Mendes... sumiu.
Carnaval agora tinha que ter trio elétrico. O fato é que essa cultura se espalhou como uma verdadeira praga em nossa cidade. A partir de então tudo que não fosse daqui era bom. Recordo-me que até os Cavaleiros do Forró, uma das bandas mais famosas do gênero, ou melhor, uma das mais “pipocadas”, não é assim? Pois bem, vocês acreditam que o grupo, no início, dizia que não era daqui? É verdade. É que na época em que a banda foi formada, meados de 1999, 2000, o forró cearense dominava o mercado. É triste não é?  A falta de credibilidade é tão grande que até a cantora Roberta Sá, nascida em Natal, é vista por muitos como de fora. Já ouvi dizerem que, apesar de ela ter nascido aqui, só teria se tornado uma boa cantora porque morou a vida toda no Rio.
O que podemos fazer pra mudar isso? Quando é que vamos poder ver uma casa de show lotada, com o público prestigiando músicos como Jubileu Filho, Khrystal, Valéria Oliveira e tantos outros? A foto no topo desse post é do Forraço, um dos poucos eventos que ainda valoriza o artista local. Que não sirva de consolo, mas sim de motivação para que outros festivais e movimentos culturais coloquem nossos artistas no lugar que eles merecem estar. Desculpem a minha indignação, mas já está na hora de abandonarmos o papel de meros coadjuvantes e assumirmos o de protagonistas. Vamos à luta! Recife já deu o exemplo com o “Manguebeat”. Opa! É é de Recife? Ah, então é bom!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A História da Música Potiguar.

Caros amigos.
Agradeço a todos pela participação ativa no blog. Em apenas 4 dias de funcionamento já foram 332 visitações, isso é um bom sinal. Como ficou definido no post anterior, o tema a ser abordado será “A História da Música Potiguar”. Porém, antes de começar a discorrer sobre o assunto considero oportuno esclarecer que a proposta do blog é focar, não exclusivamente, mas prioritariamente a música natalense. Acho importante delimitar sua abrangência para que dos debates se extraiam propostas organizadas e bem fundamentadas visando, efetivamente, o engrandecimento do cenário musical, no qual estamos inseridos. Portanto, encaremos o presente tema como uma introdução, repise-se, oportuna, à luta pelo desenvolvimento da música local e pela união dos músicos natalenses.

A História da Música Potiguar.

Pelo pouco que pesquisei sobre o assunto, de pronto percebi se tratar de um universo bastante extenso. Não é a toa que Leide Câmara , escritora potiguar, levou anos para terminar o estudo que deu origem a sua obra intitulada “Dicionário da Música do Rio Grande do Norte”, que conta a história dos artistas potiguares e suas discografias. O dicionário é composto de 600 verbetes, o que denota a imensidão do tema em comento. O fato é que não há como fazer num único post o relato de toda a história da nossa música. Portanto, proponho que cada leitor, através do espaço destinado aos comentários, traga à discussão informação sobre um ícone da música potiguar. Dessa maneira podemos promover, quem sabe, uma verdadeira redescoberta da nossa música regional.

Pois bem. Iniciarei o debate trazendo um pouco da história do compositor Hianto de Almeida.

“Hianto de Almeida (Hianto Ramalho de Almeida Rodrigues), compositor e cantor, nasceu em Macau/RN em 2/6/1 923 e faleceu em Natal/RN em 27/9/1964. Seu pai, Fernando de Almeida Rodrigues, era compositor e músico amador. Cursou o primário em Macau e aos nove anos compôs suas primeiras músicas. Começou cedo a estudar piano e, com a mudança da família para Natal, tornou-se aluno de Clementino Câmara. Por volta de 1942, começou a cantar, apresentando-se num programa de calouros na Rádio Educadora de Natal (hoje Poti). Em 1952 foi para o Rio de Janeiro, empregando-se na Companhia Comércio e Navegação. Concluiu o curso técnico de contabilidade, compondo nas horas vagas. Ainda em 1952 teve sua primeira composição gravada, Amei demais, por Vera Lúcia, na etiqueta Elite, e Encontrei afinal, um de seus maiores sucessos, na voz de Dalva de Oliveira, ambas em parceria com seu irmão Haroldo de Almeida.  Para o Carnaval de 1953 compôs Mais um traçado (com Jurandi Prates) e Marcha do tambor (com Evaldo Rui e Jurandi Prates). Nos anos seguintes, destacam-se entre suas composições o samba Vento vadio (com Evaldo Rui), 1953; o fox Segredo da meia-noite (com Francisco Anisio), 1955; o samba Era bom (com Macedo Neto), 1960; a marcha Natal da criança pobre (com Macedo Neto), 1960; e o samba Meu bem, gravado por Ciro Monteiro em 1962. Para o Carnaval de 1962 lançou Samba de pé no chão (com Macedo Neto) e Vazio de você (com Haroldo de Almeida) Entre os principais intérpretes de suas músicas figuram Elisete Cardoso, Dalva de Oliveira, Dircinha Batista, Elza Soares e Moacir Franco.
Obras: A carne, samba, 1955; Encontrei afinal (c/Haroldo de Almeida), samba, 1952; Eu quero é sossego (c/Sebastião Barros), choro, 1952; Eu vim morar no Rio (c/Francisco Anísio), samba, 1958; O lenço do Chiquinho (c/Haroldo de Almeida), 1955; Natal da criança pobre (c/Macedo Neto), marcha, 1960; Samba de pé no chão (com Macedo Neto), samba, 1962; Sincopado triste (c/Macedo Neto), samba, 1961”.

(Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora Marcadores: hianto de Almeida Anterior: Hilário Jovino Ferreira Próximo Hervé Cordovil).

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

PRIMEIRO POST (Dilema)

O primeiro texto é sempre o mais difícil, penso eu. O que abordar? Homenagear algum artista? Divulgar o trabalho de algum compositor? Será que o tema é interessante? As pessoas vão gostar?
A princípio até tive a idéia de inaugurar o blog fazendo uma reflexão acerca da falta de conteúdo das músicas de hoje, as ditas “comerciais”. É um tema interessante, bem atual.
Todavia, penso que começar o trabalho com um texto crítico poderia tendenciar as demais postagens à crítica. Portanto, prestigiando-se à democracia, acho que o melhor a fazer é perguntar ao leitor o que ele gostaria de ler.
E então amigo leitor, como podemos utilizar esse espaço? Sugira, fique à vontade.